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Fev 12
Se analisarmos com atenção os sete pecados do greenwashing abordados na aula, o IKEA não se enquadra em nenhum deles e portanto não se pode dizer que o IKEA esteja a fazer greenwashing mas poderíamos sim discutir sobre as práticas de certificação do FSC.
Assim o caso em baixo relata de uma forma bastante clara a importãncia de dar atenção ao fornecedor com o qual se trabalha pois por último, na perceção do consumidor quem sai a perder é o ponto de contato com o consumidor - a marca IKEA.
Por: Daniel Souza
publicado por greentalks às 01:02

Olá Daniel.
Este assunto é muito querido para mim (vá-se la saber porquê) e então para tentar apurar os factos fui investigar...
E dei por mim com algumas incongruências na reportagem:
1º - Tenho que explicar as diferenças entre as certificações FSC. Existe a certificação da Gestão Florestal em conjunto com a Cadeia de Responsabilidade (Forest Management/Chain of Custody – FM/CoC) onde é verificada o cumprimento de todas as boas práticas florestais e aí são definidas as "florestas de alto valor de conservação" que falam no vídeo.
Para ajudar posso lembrar-te da nossa apresentação de GOS. Não sei se estás recordado daquele esquema que apresentamos da floresta, desde os viveiros até à fábrica. A gestão florestal começa desde a plantação onde o proprietário é o responsável por todas as operações feitas na sua área e passa pelo “crescimento da árvore”, etc. Não existe informação no vídeo que me permita dizer que algum dos critérios do FSC não tenha sido cumprido na fase de plantação e “crescimento”.
Agora na fase de corte, podemos ter duas certificações possíveis FSC:
1º - O dono do terreno quer vender a madeira e contrata uma empresa qualquer para lhe prestar o serviço. Esta empresa tem que cumprir certas regras, mas não é obrigatório que seja certificada FSC. Neste caso a madeira chega à fábrica em nome do dono do terreno de onde foram cortadas as árvores. Isto só acontece porque o “dono da madeira” tem um certificado por assim dizer, “geral” (FM/COC) que lhe permite fazer com que a gestão e o transporte sejam assegurados pelos critérios FSC.
2º O segundo tipo de certificação é a COC ou em Português, Cadeia de Responsabilidade. Este tipo de certificação só permite comprar e vender madeira certificada. Por exemplo: Eu tinha uma área de floresta certificada FSC (FM/COC) e tu eras um “madeireiro” que tinhas uma empresa que era certificada pela cadeia de responsabilidade (COC) FSC. O que eu podia fazer era vender-te a madeira a ti e a madeira passava para teu nome. Isto acontece porque tens um certificado FSC que te permite que não seja quebrada a cadeia, ou seja, manténs a tua parte na cadeia de rastreabilidade, cadeia essa que permite seguir a madeira desde a floresta que foi cortada até ao produto final (por exemplo a cadeira do Ikea).
A Swedwood tem os dois tipos de certificados na Rússia como podes ver aqui: http://info.fsc.org/PublicCertificateDetails?id=a0240000005sTlOAAU
E
http://info.fsc.org/PublicCertificateDetails?id=a0240000005sWLqAAM
No videio aparece um certificado que eu não consigo verificar de qual “tipo” é que é, mas parece-me que seja apenas de COC.
Poderá ter acontecido que seja um proprietário a contratar a swedwood para lhe fazer o trabalho e esta não tenha qualquer responsabilidade no corte de áreas consideradas de FAVC (Florestas de Alto Valor de Conservação);
Uma empresa certificada não é obrigada apenas a comprar madeira certificada e neste caso a madeira até poderia nem ser certificada, mas como é a Swedwood envolvida, “por pressão jornalística” teria logo que ser certificada.
A outra situação é que efectivamente poderá ter havido um desrespeito pelos princípios e critérios FSC e aí há vários meios para fazer queixa e a empresa certificadora é obrigada a verificar se essas queixas são fundamentadas e se forem, poderá suspender o certificado da Swedwood, ou seja, não é permitido que ela comercialize madeira certificada FSC.
Quando eles referem o valor de 480€/mês por um trabalho de 12h ao dia, se fosse cá em Portugal seria ilegal, segundo a nossa legislação, mas na Rússia o salário mínimo é de 8655 rublos russos, o que equivale a cerca de 220,875€/mês. Segundo o vídeo eles recebem 480€/mês que equivale a 18808,8 RUBLOS RUSSO. Para fazer a conversão destes valores utilizei o site: http://www.bportugal.pt/pt-PT/Estatisticas/Dominios%20Estatisticos/EstatisticasCambiais/Paginas/Conversor.aspx

fim da 1ª parte
Vera Santos a 25 de Fevereiro de 2012 às 20:03

Início da 2ª parte


Outra coisa que eles falam é no estado em que o solo fica por causa da passagem das máquinas. Um das regras do FSC é que a exploração da madeira seja feita nas épocas adequadas, por exemplo, fora da época das chuvas. Pelo que vi no vídeo, não tem rastos dos “pneus” como dizem, mas sim de locais onde parece que choveu depois de terei feito a exploração e ficaram com poças de água. Digo isto com base na imagem ao minuto 6.07. No minuto 6.21 poderá haver ou não compactação do solo, porque com a qualidade das imagens não consigo distinguir.
A avaliar pelo vídeo não dá para tirar conclusões. Pelo menos para mim.
Se me perguntarem se este vídeo pode ser uma campanha contra o Ikea, pode ser…
Se tentaram manipular os factos para parecerem outros… na minha opinião é o mais provável.
Se todas as empresas cumprem as regras todas… duvido que isso aconteça.
Se a certificação tem falhas? Tem sim senhora, mas é por isso que há vários casos de empresas suspensas porque não cumpriram os requisitos.
Para verificarem isto aconselho a verem o site: http://info.fsc.org/ e no status pesquisarem por “suspended” e vejam a quantidade de empresas que já obtiveram a certificação FSC e agora estão proibidas de o fazer, enquanto não resolverem os problemas detectados.

E já chega… já está muito longa a resposta :)

E já agora.. muito obrigada a quem teve a paciência de ler isto tudo até ao fim :)

Vera Santos a 25 de Fevereiro de 2012 às 20:04

Ok, mas repara que aqui o IKEA está perante um problema de reputação, sobretudo se o vídeo se torna viral pois na mente do consumidor, a mensagem que passa é que a empresa afinal está a enganar através dos seus claims.

Como é que se responde de forma eficaz a este tipo de situações? É que por exemplo tu estarás interessada nos pormenores mais técnicos e analíticos da análise do vídeo mas os públicos alvo onde a IKEA se posiciona e que valorizam a sustentabilidade como olharão para a empresa? Como é que trabalhas essas percepções? Essa imagem que passa? É que uma boa imagem demora anos a construir e segundos a destruir…
Daniel Souza a 25 de Fevereiro de 2012 às 23:52

Concordo com o que tu dizes. Por isso é que a IKEA e outra empresa dita "grande" aposta numa comunicação eficaz e esclarecedora.

Por exemplo a IKEA não tem problemas em assumir os erros dela quando apresenta produtos defeituosos e promove uma comunicação credivel, rápida e eficaz para a troca do produto. Não é ter um produto defeituoso que as pessoas deixam de comprar no IKEA.

Na minha opinião o mesmo devia ser feito neste caso. Dizer que é mentira (se for mesmo mentira, porque não sei os factos todos) e que promove a Acção X e Y para se certificar que são cumpridos os requisitos. E que convidava todos os clientes do IKEA a verificarem por eles próprios como são cumpridas as regras...
O principio da transparência é muito importante.

Ah... mas discordo totalmente se cortarem árvores protegidas e com anos e anos :)
Vera Santos a 26 de Fevereiro de 2012 às 00:05

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