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Jan 12

Há 70 anos atrás, Henry Ford, fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a implementar o sistema de montagem em série, recebeu uma patente para um método de construção de chassis automóveis feitos a partir de plástico de soja.


Henry Ford, de entre muitas qualidades, julgo que tem na determinação a sua melhor arma. De facto, tal era o seu grau de confiança na sua invenção, que chegou mesmo a «demonstrar» a robustez desta bagageira – feita de plástico de soja - com «machadadas», como se pode observar na imagem em baixo:   

 

 

Segundo se conta, a bagageira nunca se partiu, nem mesmo numa segunda machadada, ao contrário do machado que ficou de tal forma danificado que impossibilitou machadadas posteriores.


Com efeito, em 13 de Agosto de 1941, no festival anual Dearborn Days, o «Soybean Car» foi finalmente apresentado (imagem em baixo).

 

 

A ideia inicial era vender o Soybean Car a preços acessíveis. No entanto, o custo e tempo dispendidos no processo de fabrico do plástico de soja tornaram a opção inviável.


Apesar disso, foram surgindo novas tentativas de construção e comercialização de carros feitos a partir de plástico de soja, demonstrando, no entanto, a mesma inviabilidade do Soybean Car.


O que levou à construção do Soybean Car?


Em primeiro lugar, Henry Ford desejava criar um projecto de ligação entre a agricultura e a indústria. De igual modo, ele queria demonstrar que os chassis de plástico tornavam o carro mais seguro do que os de aço. Por último, na época vivia-se uma crise na indústria do metal, e Henry Ford esperava que o seu novo material plástico substituísse o metal tradicional.

 

Porque não foram construídos mais Soybean Cars?  


O início da 2ª Guerra Mundial suspendeu todas as produções automóveis, assim como as experiências com os carros de plástico. Por fim, nos finais da guerra, o esforço energético centrou-se na revitalização e recuperação dos estragos, deixando de lado a produção de mais Soybean Cars, acrescentando o facto de que a crise do metal tinha acabado.


Em Suma, as inovações que por vezes pensamos serem exclusivamente do nosso tempo, são, frequentemente, reinvenções de projectos passados. Apesar disso, o Soybean Car teria hoje muito mais impacto no mercado automóvel, pela crescente preocupação ambiental dos consumidores e também porque, de facto, era um carro mais leve (economizador de combustível), mais seguro e cuja produção emitia quantidades mais reduzidas de CO2 do que os restantes carros plásticos e de metal. Era também, como o nome indica, feito de um material biodegradável.


A nível do Marketing, todas estas características, devidamente comunicadas/interpretadas pelos consumidores, estariam dentro do que é aceite como um projecto ecológico e sustentável, não obstante do facto do Soybean Car ter uma história interessante e diferenciadora, que bem contada – através do Storytelling – podia envolver os consumidores, possivelmente, a um nível mais emocional - «O Soybean Car está de volta!».


A verdade é que isto poderá nunca vir a acontecer, uma vez que o Soybean Car foi destruído em 1951, não havendo sequer registos da sua fórmula.

publicado por greentalks às 13:07

Obrigado Tiago pela partilha. Desconhecia o "soyabean car". No entanto, por falar em Henry Ford, lembrei-me também de uma outra obra sua, a famosa frase: "o cliente pode ter o carro da cor que quiser, desde que seja preto". Esta fase ilustra também um ponto que fálamos em aula que tem a ver com as economias de escala, pois Henry Ford, como sabem foi o pioneiro na produção em série com o Ford T. | Carolina Afonso
Anónimo a 6 de Janeiro de 2012 às 15:28

Muito interessante o artigo. quem diria? Este Ford foi um génio
Tiago a 8 de Janeiro de 2012 às 11:23

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